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Rui Valadares aponta críticas ao Ministério da Saúde e ao INEM a quem acusa
de falta de cortesia e de flagrante ausência de sentido institucional
Acção dos Bombeiros de Lamego asfixiada pelo INEM…
…e prejudicada pelo Ministério da Saúde
O
presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lamego não
poupou críticas ao INEM e ao Ministério da Saúde, dois organismos que têm
prejudicado o excelente trabalho, que os Soldados da Paz lamecenses têm
vindo a desenvolver em prol da comunidade.
Politicas
absurdas e injustas
Preocupado com o futuro dos Bombeiros de Lamego, Rui Valadares, entendeu que
a cerimónia oficial das comemorações do 131º Aniversário da Associação, era
o momento certo e o local próprio, para denunciar as “inéditas, absurdas e
injustas decisões políticas e estratégicas, recentemente assumidas por uma
das tutelas a quem prestamos serviços públicos de colaboração – o Ministério
da Saúde”.
Depois de tomar conhecimento do teor da portaria nº 571/2008, de 3 de Julho,
que define o regime jurídico aplicável ao serviço operacional dos Bombeiros
Voluntários – “constatei com alguma ironia que, afinal, e entre outras, o
Socorro Pré-Hospitalar e o
Transporte de Doentes ainda
continuam a constar como actividades operacionais dos corpos de bombeiros”,
diz Rui Valadares.
Naturalmente satisfeito por verificar que tais valências operacionais, por
enquanto, ainda estão formalmente atribuídas aos Bombeiros, a questão que
agora se coloca “é a de sabermos com que meios, com que recursos
financeiros, e durante quanto tempo as vamos poder continuar a cumprir”,
interroga Rui Valadares.
Socorro
Pré-Hospitalar
Recorde-se que relativamente ao
Socorro Pré-Hospitalar, há cerca de 25 anos, o Instituto Nacional de
Emergência Médica (INEM) celebrou com a Associação Humanitária dos Bombeiros
Voluntários de Lamego – AHBVL, um
Acordo de Colaboração para a criação no Corpo de Bombeiros de Lamego de
um Posto de Emergência Médica – PEM de
Lamego, com o objectivo do concelho passar a contar com uma ambulância
de Suporte Básico de Vida,
destinada e equipada para ocorrer a situações de urgência pré-hospitalar.
No
ano de 2005, perante o número invejável de serviços efectuados pelo “PEM de
Lamego”, a Direcção da AHBVL –sempre empenhada em prestar uma resposta cada
vez mais eficiente a este tipo de socorro – solicitou uma audiência ao então
Presidente do INEM da qual, em síntese, se concluiu que a melhor solução
qualitativa a implementar passaria pela integração no
PEM de Lamego de uma tripulação permanente de
Técnicos de Ambulância de Socorro, vulgarmente conhecidos por
TAS.
Sempre regulados pelo espírito de bem servir a comunidade, a Direcção da
AHBVL aceitou aquele desafio, pelo que foi deliberado assalariar 3
TAS no PEM de Lamego, para
operar numa escala de serviço permanente, de 24 sobre 24 horas, de 2ª a 6ª
feira, sendo expectável que aos Sábados e Domingos o seu próprio espírito de
voluntariado asseguraria uma taxa de cobertura idêntica, “como veio a
acontecer”, assevera Rui Valadares.
Saliente-se, a este propósito, que os encargos salariais com estes
TAS constituem despesa exclusiva da AHBVL, e o seu valor anual ronda
os 36.000 euros.
De
referir, ainda, que nessa altura (2005), o
PEM de Lamego efectuava uma média
de 8,24 serviços/dia.
Entretanto, em meados de 2006, por determinação tutelar, os pedidos de
socorro que, até então, eram recebidos directamente pela Central de
Comunicações dos Bombeiros de Lamego, passaram a ser accionados pelo
CODU (Centro de Orientação de
Doentes Urgentes) instalado na Delegação Regional do Norte do INEM.
Esta
alteração, conjugada com a posterior entrada em funcionamento da
VMER instalada no Hospital de Vila
Real, e ainda com as transformações operadas na rede hospitalar regional
(que em 2007, remeteram o Hospital de Lamego para a dependência orgânica e
funcional do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro), provocou uma
diminuição de 25 % nos serviços prestados pelo
PEM de Lamego. Ou seja, com este
conjunto de transformações no presente ano (2008), no período compreendido
entre 1 de Janeiro e 31 de Maio, o PEM
de Lamego realizou apenas uma média de 6,1 serviços/dia.
Falta
de cortesia
Entretanto, no passado dia 1 de Junho, não directamente pelo INEM, mas
(pasme-se), por um fax que foi remetido pelo CODIS de Viseu aos Bombeiros de
Lamego, ficou esta Associação informada de que o INEM iria accionar em
Lamego, a partir daquele mesmo dia, uma ambulância
SIV (Suporte Imediato de Vida),
sedeada no Hospital local, com um regime de atendimento 24 sobre 24 horas, e
com uma tripulação composta por um enfermeiro e um
TAE (Técnico de Ambulância de
Emergência).
Para Rui Valadares “além da falta
de cortesia e de flagrante ausência de sentido institucional revelados pelo
INEM, ao não nos informar formal e directamente desta sua decisão – o que
naturalmente nos tocou – sempre acreditamos que a referida
SIV, quer pela tipificação técnica e funcional, quer por virmos a
saber (não oficialmente, também) que a sua área de intervenção agregava
outros concelhos adjacentes ao de Lamego, se destinaria a ocorrer apenas a
situações de socorro devidamente triadas, que implicassem necessariamente a
prestação de cuidados de saúde diferenciados, sua verdadeira razão de ser;
isto é, que operasse num patamar de intervenção intercalado entre o
Suporte Básico de Vida prestado pelo
PEM de Lamego e o Suporte
Avançado de Vida prestado pela
VMER”.
Todavia, “assim não veio a acontecer!!!” lamenta Rui Valadares.
Permanentemente atentos ao ritmo de funcionamento e conteúdo de actuação
daquela SIV, e “pelas diversas
informações que cuidadosamente fomos colhendo”, constata-se por um lado que
a maioria as missões da ambulância SIV,
incidia no concelho de Lamego e, por outro, “que a sua intervenção
operacional colidia, e competia com os domínios de actuação que assistem ao
PEM de Lamego!!!...”
A
tal ponto, adianta Rui Valadares, “que durante o passado mês de Junho o
PEM de Lamego realizou uma média
de, apenas, 4 serviços por dia!!!...”
Perante estes dados o Presidente Rui Valadares pediu uma audiência, com
carácter de urgência, ao Delegado Regional do Porto do INEM, no sentido de o
sensibilizar para a correcção da situação que se estava a passar.
“Do rescaldo dessa reunião, trouxe praticamente a certeza absoluta de que o
panorama não seria passível de grandes reacertos. Aliás, nem mesmo o pedido
que lhe dirigi, para que o CODU
passasse a proceder a uma mais correcta triagem dos pedidos de socorro
solicitados para Lamego, por forma a distribui-los adequadamente pelo o
PEM de Lamego e pela a
SIV – o que ele me prometeu –
nem isso surtiu qualquer efeito!!!”, refere Rui Valadares.
Pelo
contrário…no presente mês, até ao dia 22 de Julho, o
PEM de Lamego realizou uma média
de 2,6 serviços/dia!!!...
PEM
de Lamego
ameaçado
Complementarmente a esta questão, acresce o novo regime de financiamento do
INEM às Associações de Bombeiros, instituído no ano em curso e que no caso
de Lamego, calculada a respectiva projecção para o fecho do presente ano
económico, significa uma perda de receita na ordem dos 1600 euros,
relativamente aos anos anteriores.
Perante este preocupante quadro, “e não me querendo pronunciar sobre o que
já adivinho ser a estratégia futura do INEM”, quanto à participação dos
Bombeiros voluntários no socorro pré-hospitalar, Rui Valadares chega à
seguinte conclusão:
A
abertura da SIV do INEM, em
Lamego, provocou comprovadamente a asfixia do seu
PEM instalado no nosso Corpo de
Bombeiros, facto que, pelos vistos, em nada perturba o próprio INEM;
A
manter-se a actual situação, o futuro do
PEM de Lamego está
irremediavelmente ameaçado pois, não só não se justifica o seu funcionamento
para atendimento a serviços residuais, como a nossa Associação não possui
recursos financeiros para o continuar a assegurar;
De
forma realista e responsável, a direcção desta Associação acordou sustentar
esta situação, até ao final do próximo mês de Setembro, para que a partir
dessa data – munida de um “histórico” de 4 meses, o que lhe garante uma
projecção estatística fiável – proceder à reavaliação deste assunto, e sobre
ele se pronunciar definitivamente;
Se
nessa altura, os indicadores recolhidos forem semelhantes aos actuais, a
direcção não deliberará sobre a eventualidade de rescindir o “Acordo de
Colaboração” celebrado com o INEM, sem previamente consultar o Sr.
Presidente da Câmara pois, tal decisão comporta diversos e graves custos
sociais, não apenas para a nossa Associação, mas muito especialmente na
nossa comunidade”, refere Rui Valadares.
Transporte de Doentes
Abordando agora a actividade operacional respeitante ao Transporte de
Doentes, também neste domínio o Ministério da Saúde assumiu “uma
inqualificável postura perante a dramática situação vivida pelas Associações
de Bombeiros Voluntários”, acusa Rui Valadares.
Na
verdade, “para além de ter retardado durante quase dois anos, a actualização
do preço por Km a pagar às associações pelos serviços de transporte por elas
prestados – e, mormente, por esse lapso de tempo ter coincidido com o
período em que se verificou o aumento permanente e brutal dos preços dos
combustíveis”. O Presidente da AHBVL
critica a postura do Ministério da Saúde “que veio agora fixar
unilateralmente o novo valor, que apenas traduz um acréscimo percentual,
directamente proporcional ao do aumento dos combustíveis, verificado naquele
período!!!”
Ou
seja, segundo Rui Valadares “esqueceu
o Ministério da Saúde que, durante quase dois anos, as Associações de
Bombeiros tiveram que suportar, por si só, o embate decorrente daqueles
constantes aumentos;
Esqueceu
que, durante esse tempo, as Associações tiveram que assegurar, elas
próprias, os aumentos relativos aos “custos com o pessoal”;
Esqueceu
ainda que, durante o referido período, as Associações tiveram que fazer face
aos aumentos entretanto verificados com a inflação, que se repercutiram
directamente nos custos das operações de manutenção e reparação das suas
viaturas, e sobre os seus novos preços de aquisição;
Esqueceu
finalmente que por tudo isto, iria remeter a maioria das associações do país
para um estado de manifesta ruptura financeira – de que dificilmente se
reabilitarão – numa atitude a todos os títulos incompreensível e
lamentável”.
Estratégia de contenção
No
que toca à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lamego,
graças aos resultados positivos acumulados em anos anteriores, “mas muito
especialmente, pela decisão oportuna e atempada assumida pela sua Direcção”,
em instituir numa estratégia de contenção das despesas, praticamente
reduzida à sua componente primária, “foi possível suportar este período sem
ruptura, embora por tal, se tenha visto impedida de realizar os
investimentos planeados”, com excepção do
Veículo de Apoio a Mergulhadores,
com que foi dotado o parque automóvel da Associação na passagem deste 131º
Aniversário.
Com
a disponibilização desta viatura, completa-se o
Projecto da constituição da Equipa de Mergulho do Corpo de Bombeiros
Voluntários de Lamego.
Um
projecto que para Rui Valadares “é da mais elementar justiça, pois foi
iniciado e concebido devido à vontade voluntária e estritamente pessoal de 7
bombeiros da nossa corporação”, que se inscreveram a expensas próprias no
respectivo curso de formação, custeando ainda pessoalmente os seus
equipamentos individuais de mergulho, só depois o apresentando à Direcção da
Associação “que, naturalmente, o recebeu de braços abertos” diz Rui
Valadares.
A
estes 7 mergulhadores, “pelo seu altruísmo e superior Espírito de Causa”,
Rui Valadares expressou-lhes um público elogio, “pelos êxitos já conseguidos
nas diversas e difíceis missões em que já participaram, como foi o caso do
trágico acidente do Tua”.
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